segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Música para exportação

Esta semana, chega às lojas da Alemanha a coletânea Sound Trip-Northeast Brazil. Com 14 faixas, ela reúne artistas nordestinos como Silvério Pessoa e Siba. Quem abre o CD é um quase-conterrâneo nosso: Beto Brito. Nascido no Piauí e radicado há décadas na Paraíba, o autor do disco Imbolê (2006) já contabiliza quatro coletâneas em CD circulando pela Europa e no Japão, além do próprio Imbolê, distribuído no Velho Continente pelo selo espanhol Discmed.Beto é um dos paraibanos que conseguiu projeção na Europa, produzindo música aqui e mandando para fora. Apesar de vivermos e ouvirmos música de uma maneira globalizada e sem fronteiras, graças à internet, não é tão fácil emplacar um hit do lado de cima do Equador, em mercados promissores como os Estados Unidos, Europa e Japão. Por aqui, os artistas que se mantêm na Paraíba e conquistam o exterior, exportando músicas muito bacanas, são Beto Brito, Cabruêra e ChicoCorrea & Electronic Band. Vez ou outra, alguém também se aventura a tirar o passaporte e tentar algum contato lá fora, como o OdeCasa, que chegou a gravar um CD-demo na Áustria, mas voltou. Ou se muda, de mala e cuia, para o exterior, caso do guitarrista Washington Espínola, radicado há 12 anos na Suíça, e das cantoras Diana Miranda e Regina Brown, entre outros. Beto, Cabruêra e ChicoCorrea têm, em comum, raízes regionais com roupagens contemporâneas. Um tipo de som peculiar que acaba agradando desde gregos e troianos, até franceses e japoneses. “A língua não define o grau de sucesso que o artista vai fazer em determinado país ou não”, comenta Arthur Pessoa, líder da Cabruêra, que há oito anos viaja com freqüência para a Europa, onde faz turnês extensas e ganhando espaço na mídia local. “Acho que o mais importante é o resultado estético do trabalho artístico, independente da sua língua ou origem. A música tem esse poder de derrubar fronteiras e, sendo assim, um grupo do interior do Japão pode encontrar público e mercado para o seu trabalho em Campina Grande, e vice-versa”.Beto Brito, que já tem duas turnês na Europa no currículo e se prepara para embarcar novamente em meados de 2009, reconhece que fazer sucesso não é fácil em lugar nenhum. “O que existe no Japão e em outros países são possibilidades reais das coisas acontecerem, principalmente quando se desenvolve um trabalho cultural consistente, organizado e sério”, diz. “Em nosso próprio Estado, esses fatores são irrelevantes para os olhos de quem faz as coisas acontecerem”, reclama.De olho no nordesteChicoCorrea, que este mês embarca para a França, onde se apresenta como DJ no badalado Festival Les Escales, diz que o mercado internacional está cada vez mais aberto para nossa música. “Até bem pouco tempo, só se exportava samba, bossa nova, mulatas e caipirinha. Hoje já há novos olhares sobre a música do Nordeste, seja tradicional, seja das bandas independentes”, comenta o músico, lembrando que, recentemente, o prestigiado festival de Motreaux abriu espaço para o forró paraibano.Chico conta que, na França, por exemplo, há uma comunidade de artistas tocando música brasileira, brasileiros ou não. “Já faz parte do cotidiano”, pontua. “Música brasileira não é estranha para o (público) local. Artistas como Silvério Pessoa, Renata Rosa, Cabruêra, (DJ) Dolores, grupos de forró, de choro, sempre tocam por lá. Há um grande intercâmbio entre músicos do Nordeste e a Tradicao Occitane, onde grupos como Fabulous Trobadors, por exemplo, encontraram semelhanças entre a música antiga francesa e os emboladores do Nordeste”, comenta, e acrescenta: “A música brasileira conquista pela alegria e despretensão de formas. Põe um coco e vê quem não dança! Ela é lúdica e os europeus parecem carecer disso”.Arthur concorda: “Existe um interesse muito grande em descobrir o que é o coco, o forró, a embolada e o repente, por exemplo. E, claro, na medida em que revestimos, de uma linguagem mais urbana e atemporal, músicas do universo do cancioneiro popular, acredito que também criamos uma atração e curiosidade maior sobre o que resulta desses diálogos entre os ritmos e as linguagens do moderno e do tradicional”, explica o vocalista.O resultado é que o Cabruêra já está com oito músicas rodando em coletâneas espalhadas pelo mundo. Tem uma na Alemanha, duas na França (entre elas no prestigiado Favela Chic), duas em Portugal, duas no Japão e uma nos Estados Unidos, News Sounds from Brazil, que saiu pelo Luaka Bop de David Byrne. Além disso, tem dois álbuns lançados lá fora: Proibido Cochilar, que a Piranha Records distribui em 25 países, e Cabruêra (2000), que a Alula Records lançou nos Estados Unidos e Canadá.Arthur diz que esses discos ajudam na promoção de shows lá fora. “Alguns festivais nem incluem a banda em sua programação se ela não tiver lançado um disco na Europa. O Roskilde Festival, na Dinamarca, é assim. É o segundo maior festival de rock da Europa, onde tocamos em 2007”, acrescenta o vocalista do Cabruêra.ChicoCorrea também contabiliza várias faixas em compilações estrangeiras: três alemães, duas francesas, uma em Portugal e algumas no Japão, onde também acabou remixando músicas do produtor japonês Mio Mazda, do Deep Samba, e do cantor Morio Agata (estão no www.bumpfoot.net e www.musicartistry.de).
Tirado do Jornal da Paraíba.


É bom ver o interesse estrangeiro pela música brasileira, não só por samba e bundas (que na minha opnião é o que mais caracteriza o Brasil lá fora). E melhor ainda é saber que existe esse interesse por música regional e nordestina,ou seja, a mesma coisa .

Um comentário:

Ass. Imprensa Odecasa disse...

Olá Giuliane,

Lemos a matéria publicada em seu blog e a achamos ótima no quesito divulgação e reiteração do bom som paraibano. Ótima iniciativa!

Porém, apenas gostaríamos de atualizá-la nos seguintes pontos:
o Odecasa não gravou cd-demo na Áustria e sim, na Paraíba mesmo, assim como também um cd-dvd lançado com sucesso e já esgotado.

Na Áustria eles gravaram dois discos - não lançados no Brasil e sem previsão ainda (pela data de postagem da matéria, eles estavam lá gravando o segundo disco)

No mais, parabéns e obrigada mais uma vez pela divulgação do bom e alto som paraibano!

Ass. de Imprensa Odecasa